Escolha da pedra
Seleccionamos o bloco em bruto nas pedreiras de Estremoz — observamos o veio, a cor, a densidade. A peça começa a existir no momento em que reconhecemos a pedra que vai dar-lhe forma.
Da pedra bruta à forma eterna — três décadas a esculpir, à mão, o mármore e o bronze da região mais antiga de Portugal.
Somos uma oficina de escultura em mármore de Estremoz e bronze. Trabalhamos a pedra como ela pede: com tempo, com mão, com a luz do Alentejo a entrar pela janela. Cada bloco guarda já a forma que lhe vamos dar — nós só a revelamos.
Não há catálogo fixo, não há duas peças iguais. Há o cinzel, a bucharda, o pó branco que cobre a oficina ao fim da tarde. Há o gesto lento de quem sabe que a pedra não se apressa.
Continuamos uma tradição que começou na Estremoz romana e nunca mais parou — dois milénios de mãos a falar com a pedra.
Peça em destaque
Cabeça de leão esculpida em mármore branco de Estremoz. Linhas depuradas, superfície quase translúcida — branco sobre branco, luz sobre luz. A forma emerge do silêncio da pedra, como se sempre lá tivesse estado à espera.
Do bloco em bruto à peça acabada — cada etapa exige mão, olho e tempo. A pedra não se apressa, e nós também não.
Seleccionamos o bloco em bruto nas pedreiras de Estremoz — observamos o veio, a cor, a densidade. A peça começa a existir no momento em que reconhecemos a pedra que vai dar-lhe forma.
Esboços em escala, modelo em barro, plano de desbaste. A ideia ganha proporção e começa a dialogar com o bloco que a vai receber.
Cinzel, bucharda, grosa, lixa. A pedra revela-se camada a camada, gesto a gesto. O pó branco cobre a oficina ao fim de cada tarde.
Polimento manual no mármore, patine cuidada no bronze. Os últimos gestos — os mais lentos, os mais decisivos. A peça respira.
Há mais de dois mil anos que o mármore se trabalha em Estremoz. Os romanos já extraíam esta pedra clara e levemente rosada das mesmas pedreiras que hoje continuamos a visitar.
Aqui passaram mãos de artesãos, escultores, canteiros — uma cadeia longa e paciente que ainda hoje se reconhece em cada bloco. As ferramentas quase não mudaram. A paisagem, idem.
A Escultura Leon continua esse fio. Não acrescentamos nada de essencial — apenas prolongamos um diálogo que já dura vinte séculos.
— Atelier em Estremoz, desde 1987